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Técnica das Linhas de Acesso

1. Introdução

Após algum tempo de prática clínica com as técnicas corporais, Reeducação Postural Global (R.P.G) e Crânio Sacro Essencial, comecei, mesmo sem perceber, a aplicar uma técnica de diagnóstico diferente e um pouco “estranha”. Até agora ela ainda não tem um nome oficial, e portanto vou chamá-la de Técnica das Linhas de Acesso. Durante o atendimento de alguns adolescentes que apresentavam nítidas curvas escolióticas em suas colunas vertebrais. Para a minha surpresa quando eu propunha algum tipo de exercício de “visualização” de suas colunas eles freqüentemente falavam das curvas de sua escoliose de forma oposta ao que era, ou seja se a curva da coluna fazia um círculo a esquerda eles me relatavam que visualizavam ou sentiam a curva para a direita. Isso me deixava intrigado e sem saber a razão dessa inversão. Por outro lado , com a continuidade do trabalho corporal a diferença do que se visualizava e o que se apresentava de fato acabava diminuindo e em alguns casos se tornava insignificante , isso apontava algum tipo de relação entre a imaginação/sensação e o próprio estado do corpo. Com o passar do tempo fui aprimorando a técnica e pedindo que os pacientes visualizassem linhas em seu corpo , desde então comecei a usar a técnica como uma forma de diagnóstico de desequilíbrios que por muitas vezes estão ocultos no corpo. Um ponto interessante nesta técnica é que nem sempre as pessoas identificam uma correlação entre o que a pessoa “vê” e o que acontece no seu corpo. Outro aspecto que me chamou atenção é o fato de que, quando o paciente visualiza uma determinada linha em seu corpo, ele não consegue mudá-la pela própria vontade. A única mudança possível em sua percepção dessa linha, será através de uma intervenção corporal feita pelo terapeuta. De maneira geral podemos dizer que o objetivo e a intenção desse trabalho é acessar um mecanismo interno do corpo e da mente que é capaz de perceber o que vai bem e o que não vai, usando como síntese uma palavra relacionada ao nome do trabalho, este mecanismo é capaz de perceber o que está ‘desalinhado”

2. A Técnica das linhas de Acesso

Essa técnica visa mapear e identificar os possíveis pontos de bloqueios físicos e energéticos que aparecem no corpo. Por algum motivo que ainda não sabemos, quando pede-se a uma pessoa que imagine no seu corpo vetores em forma de linhas, normalmente o paciente responde com prontidão, onde e de que forma ele percebe a linha. As áreas mais significativas para delineamento dessa linha serão as seguintes: centro da coluna vertebral indo do topo da cabeça até o cóccix, cintura escapular de ombro a ombro, os dois braços indo do ombro até a mão, a cintura pélvica e as duas pernas seguindo até os pés.

Nesse momento, após ter pedido que o paciente visualize essas linhas no próprio corpo, o terapeuta poderá explorar melhor, através de perguntas, que características estão sendo “vistas” pelo paciente. É importante que a pessoa que está detectando a linha de Acesso, não se esforce. A linha deve aparecer de maneira espontânea e sem esforço. No caso de pessoas que não consigam acessar a visão das “linhas”, o terapeuta poderá trabalhar no nível físico e muscular, usando massagem ou outras técnicas a fim de desbloquear tensões podendo assim relaxar a musculatura do paciente e sensibilizá-lo para um trabalho mais sutil . As possibilidades terapêuticas dessa técnica são imensas desde que o paciente se conecte de forma clara e inquestionável com a visão da linha

A seguir, daremos algumas sugestões que poderão ser feitas para precisar a forma da linha.

  • Essa linha é contínua?
  • Qual o percurso desse linha?
  • Está dentro ou fora do corpo?
  • Com o quê se parece?
  • Tem cor? Qual?
  • Apresenta espessura?
  • Existe algum outro detalhe, que gostaria de comentar?

Essas perguntas deverão ser feitas de duas formas, afim de se obter maior precisão no diagnóstico: com o paciente em pé e com o paciente deitado. As respostas para essas perguntas irão traçar o caminho do atendimento clínico, dentro do seguintes critérios:

2.1 A linha de Acesso Central

Essa linha tem um papel importante no equilíbrio das outras linhas. Trata-se da linha mestra e como tal, terá prioridade no tratamento. De maneira geral, poderemos tomar essa linha como um padrão para as outras, quando as outras linhas se mostrarem semelhantes a essa linha central, poderemos dizer que chegamos a um ponto satisfatório de equilíbrio.

2.2 Descontinuidade

Inicialmente, dentro da nossa experiência, é recomendável trabalhar as partes da linha que estão descontínuas como por exemplo: a pessoa sente que a linha desce pela coluna e se interrompe na região diafragmática. Essa será a região privilegiada para iniciar o trabalho. Essa descontinuidade reflete um bloqueio em vários níveis: muscular, tecido conjuntivo, visceral, emocional e energético. Se conseguirmos alcançar uma continuidade das linhas que formam o desenho principal (coluna, cintura escapular, braços, cintura pélvica e pernas) podemos considerar que a etapa básica do trabalho já foi feita. Normalmente, depois desse desenho ser configurado, o paciente sente-se mais integrado.

2.3 A Espessura

Em seguida, as linhas que se apresentam com maior espessura deverão ser trabalhadas. Freqüentemente, uma maior espessura na linha indica um maior tensionamento muscular ou mesmo algum mal funcionamento visceral. É comum que a espessura da linha seja expressa por analogia tal como : “ é tão grossa como uma barra de ferro escura”

2.4 Quando a linha sai do corpo

Regiões onde a linha sai de sua trajetória retilínea são pontos de bloqueios que merecem atenção. Muitas vezes será necessário trabalhar toda a região que se apresenta fora da linha a fim de que possamos restituí-la. Freqüentemente, quando a linha sai do eixo corporal e a pessoa percebe a linha fora de seu corpo, isto pode indicar que a região que está fora, apresenta algum tipo de desequilíbrio postural ou energético. Essa técnica então, pode ser um recurso eficiente para detectar alterações sutis na estrutura do corpo. Lugares em que a linha sai do corpo são lugares que devem ser sensibilizados de forma a que o percurso volte a ser interno ao corpo.

2.5 As Cores

A cor da linha que percorre a coluna poderá ser tomada como padrão para as outras. Ou seja se a linha aparece com uma cor clara e é contínua, poderemos tomar essa cor como um padrão de equilíbrio a ser obtido em outros linhas do corpo

Podemos dizer, com algum grau de certeza, que a cor vermelha nas linhas indica que a região afetada por essa cor apresenta algum tipo de problema. Se bem que já encontramos linhas vermelhas contínuas em situações em que a pessoa estava equilibrada.

As regiões que mudam de cor abruptamente também merecem atenção por parte do terapeuta. Essa mudança de cor reflete uma alteração energética ou emocional. Nesse caso poderemos fazer um trabalho mais sutil.

2.6 A Forma

A forma que a linha se apresenta também nos informa sobre o estado da região. Quando a linha se apresenta em forma de zig-zag, notamos uma profunda tensão na região, quando isso aparece, o trabalho terapêutico será priorizado nesta área específica

Outras vezes a linha pode parecer metálica isso indica algum tipo de tensão crônica na área Durante a prática clínica, percebemos que quando uma dessas regiões críticas está sendo trabalhada, outras que apresentam problemas podem naturalmente se corrigir, sem necessitar de nenhuma intervenção.

É freqüente que após uma boa sessão a linha se apresente reta e contínua. Até o momento, pelas observações clínicas, essa é a situação ideal. Essa condição pode mudar, por algum motivo, durante o intervalo entre as sessões. Na prática, muitas vezes a manutenção do equilíbrio das “linhas” ainda se mostra muito instável. Provisoriamente, poderemos propor para o paciente que ele escolha uma imagem que signifique manutenção ou estabilidade. De posse dessa imagem o terapeuta poderá usá-la para a manutenção do equilíbrio das “linhas” obtido no final de uma sessão (isso será visto, com mais detalhes)

3. Técnicas Avançadas

Chamaremos estas técnicas de avançadas devido ao fato de só poderem ser feitas após algum tempo de experiência e confiança do paciente em relação ao trabalho básico com as linhas. Para aplicar estas técnicas avançadas, tanto o Terapeuta, como o paciente deverão estar confortáveis em relação as aplicações básicas da linha

3.1 As Diagonais

Com o passar do tempo algumas outras observações puderam ser feitas como por exemplo a observação de que outras linhas podem ser solicitadas no corpo. Diagonais que fazem um X no tronco, na parte da interseção do X deve-se notar que existe algum tipo de tensão retida. Muitas vezes as diagonais não cortam o corpo pela metade elas o fazem de maneira desigual deixando as partes superiores e inferiores com tamanhos diferentes. Esses diferentes tamanhos representam algum tipo de desequilíbrio no tronco e o ponto de partida para trabalhar este desequilíbrio será a intervenção terapêutica na interseção do X

3.2 Os Entroncamentos

Poderá ser útil, para maior precisão nos diagnósticos, tomarmos alguns pontos ( cabeça, garganta, peito, plexo solar, umbigo e pélvis) no eixo central e pedirmos que o paciente visualize linhas como se fosse um entroncamento passando por estes pontos, tais como são vistas em algumas representações de chacras. Pode-se pedir mais características desta área tais como cor, direção do fluxo de movimento, se está indo de dentro para fora ou ao contrario e se esses pontos tem a mesma cor da linha central. Estes entroncamentos servirão de base para o trabalho e desbloqueio das linha central, que por sua vez exerce um importante papel no equilíbrio das linhas restantes. O trabalho de aliviar as tensões destes entroncamentos de linhas deverá ser feito de maneira suave e não invasora pelo terapeuta

3.3 As linhas circulares concêntricas

Podem ser circulares em volta do tronco, braços e pernas. Podemos citar como exemplo as linhas que descem dos pés e das mãos e se abrem como um guarda-chuvas.

4. Dicas para os terapeutas

4.1 A Importância da Visualização Interna do Terapeuta neste Trabalho

Este é um assunto delicado pois demonstra alguma coisa que ainda não é demonstrável. Mas sem dúvida não deveremos descartar a influência do processo de visualização interno do terapeuta na eficiência da técnica. O terapeuta deverá acompanhar da maneira mais concentrada possível a liberação da área a ser tratada. Visualizando com um foco nítido e claro o processo de realinhamento das linhas. Se o terapeuta consegue atingir um bom nível de concentração durante o trabalho terapêutico ele poderá até mesmo “sentir” quando algum tipo de melhora ocorra

4.2 Criatividade

O terapeuta deverá estar aberto a criatividade que aparece no momento, muitas vezes ele vai agir como um artista que cria desenhos animados através de linhas retas. Essa criatividade deve ser transmitida para o paciente de uma maneira suave e gradual ou seja, mesmo que o terapeuta perceba que poderá propor novas linhas de acesso, estas deverão partir daquelas já conhecidas. Isso, além de transmitir mais segurança ao paciente, também viabiliza na prática o acesso as novas linhas.

4.3 A Importância de ser Guiado por uma linha reta

É importante pedir linhas retas, tanto para facilitar a visualização, como para abrir possibilidades de visualizar as curvas e imperfeições da reta. Como já vimos, as curvas nos servirão como sinal de que algo não vai bem. Essa idéia de guiar através de uma reta é fundamental para desenvolver-se neste trabalho. Neste aspecto, existe uma diferença do Crânio Sacro Essencial onde o guia é o próprio movimento de pulsação do paciente.

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